» "Tarde te amei! Oh! Beleza sempre antiga e sempre nova. Tarde de amei!
Apresentamos esta novena-oração-reflexão com a esperança de que a celebração
da festa de Nosso Pai Santo Agostinho, seja precedida de um tempo de oração
e aprofundamento sobre os valores humanos espirituais que ele nos legou.
A que dirige a oração poderá introduzir salmos, cantos para torná-la mais
viva e participativa.
» 1º DIA - DEUS PAI, CRIADOR
› Cantemos : Em nome do Pai, em Nome do Filho, em nome do Espírito Santo, estamos aqui! Para louvar e agradecer,
bendizer e adorar, Estamos aqui, Senhor ao teu dispor! Para louvar e agradecer, bendizer e adorar! Te aclamar, Senhor,
Deus Trino de Amor.
› Comentarista: Irmãos e irmãs, hoje Santo Agostinho nos convida a contemplar a todas as criaturas de Deus
e a louvar o seu Criador. Vamos ouvir a reflexão que ele nos oferece.
› Leitor: Deus criou e organizou todas as coisas e todas as coisas louvam ao Senhor. Quando você olha e contempla
a beleza das obras de Deus, nelas você também louva ao teu Deus.
A terra que parece muda também tem a sua voz, tem o seu rosto. Você olha e vê a sua face, a sua superfície, vê a sua fecundidade
e a sua força, vê como a semente aí germina e que a terra faz brotar até aquilo que não foi semeado pelo homem.
Depois de ter admirado toda essa maravilha, você sentirá que a terra somente pode mostrar esta grandeza porque a recebeu do seu Criador.
A maravilha que você encontra nas criaturas é a voz da própria criatura, convidando a você a louvar o Criador. Através da sua
beleza, a terra lhe está dizendo: “Não fui eu que me fiz, foi Deus! A glória seja dada a Ele.
› Leitor: Digamos todos ao nosso Criador: Como Tu és poderoso, Senhor, que fizeste a terra e a encheste de bens,
que lhe entregaste as diversas sementes para que produzissem esta variedade de frutos. Bendito sejas, Senhor, nosso Deus criador
e salvador!
› Comentarista: Fechemos os olhos por um momento e pensemos nesta grande maravilha que é o nosso planeta terra.
Comente estas duas perguntas com a pessoa que está ao seu lado.
› v - Como estamos cuidando desta grande maravilha que Deus nos entregou para o nosso próprio bem?
(água, matas, animais, energia elétrica, etc...)
› v - Quais são e serão as conseqüências dos maus tratos a esta tão grandiosa obra de Deus?
› Comentarista: Este é o momento para que cada um, cada uma, expresse espontaneamente o seu agradecimento a Deus, atravéde uma oração
de louvor, ou faça o seu pedido.
› Todos juntos, oremos: Senhor, nosso Deus e Criador, Tu que criaste a terra, e sobre ela colocaste a vida, ajuda-nos
a preservá-la de todo o mal. Deste inteligência ao ser humano, juntamente com a liberdade de administrar todos os bens, mas com a condição de
que a nenhuma de suas criaturas faltasse o necessário para viver com dignidade. Ajuda-nos, Senhor, a readquirir um olhar contemplativo para
ver no mundo, na realidade, em todos os seres viventes, a marca de tuas mãos de Pai, Criador e Salvador. Ajuda-nos a aprender de Ti a não
reduzir a totalidade da Tua criação aos nossos egoísticos interesses. Ajuda-nos também a aprender de Ti a respeitá-la, a amá-la como morada
tua e do ser humano. Amém!
» 2º DIA - CRISTO CAMINHO
› Comentarista: Eu buscava um meio que me desse forças para gozar de ti, mas não o encontraria, enquanto não aderisse ao mediador entre Deus e os
homens, o homem Cristo Jesus, que acima de todas as coisas é o Deus bendito pelos séculos, e que chama e diz: eu sou o Caminho, a Verdade e a
Vida. (Cf. VII,18.24).
› Leitor: Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida”. Quem não aspira à verdade e à vida?, pergunta Agostinho.
E ele mesmo dá a resposta: todos aspiram porém, nem todos encontram o caminho para chegar a elas. Cristo, no seio do Pai é a Verdade e é
a Vida. Ele é o Verbo de Deus e dele se disse: A vida era a luz dos homens. Sendo Ele, no seio do Pai a Verdade e a Vida e não sabendo nós por onde
chegar a elas, Ele, Filho de Deus, Verdade eterna e Vida Ele, se fez homem para ser para nós o Caminho. Seguindo o caminho de sua humanidade, chegaremos
à divindade. Ele nos conduz a Ele mesmo. Não andes buscando por onde ir a Ele fora dele. Se Ele não tivesse querido ser Caminho, andaríamos sempre extraviados.
Ele se fez caminho por onde ir. Ele é o caminho que vem a Ti. Levanta-te e anda! Anda com a conduta, não com os pés. Muitos andam bem com os pés e mal com a
conduta. E ainda há os que andam bem, mas fora do caminho. Encontrarás pessoas que correm bem mas não pelo Caminho, e quanto mais andam, mas se extraviam,
pois se afastam do Caminho.
Se essas pessoas entrassem pelo Caminho que é Cristo e lhe seguissem, andariam com mais segurança , não andariam errantes. É preferível,
sem dúvida alguma, ir pelo Caminho, ainda que mancando, que correr fora dele. (Sto Agostinho, Sermão 141.1.4)
› Leitor: Juntou-se a eles um terceiro caminhante, e o Caminho começou a falar com eles durante o caminho; e foi entrando de mansinho naquela conversa derrotista
dos dois discípulos...ia esclarecendo os acontecimentos segundo as Escrituras. Chegando ao povoado, aceitou o convite para entrar e ficar com Eles. Não
teve pressa...durante o caminho foi conduzindo a mente e o coração dos discípulos para que O reconhecessem justamente no momento certo, ao benzer
e repartir o pão. (Cf. Sto Agostinho, sermão 236, 2-3 – discípulos de Emaús)
› Comentarista:
v - Como você vai sentindo, no seu dia a dia, a presença deste Deus que é Caminho, Verdade e Vida?
v - Você já se encontrou, alguma vez, na situação do discípulos de Emaús, tanto no desconcerto causado pelos acontecimentos,
como na iluminação trazida pela benção e partir do pão?
Todos juntos, oremos: Senhor, que conheçamos na terra o teu caminho, o caminho que conduz a Ti. Que saibamos para onde ir e por onde ir. Tu nos disseste:
“Eu sou o caminho, a verdade, e a vida” (Jo 14,6) andai por mim, andai em mim, e em mim repousai. Por mim conhecereis o Pai. Senhor, ajuda-nos a acolher-te,
apaixonadamente como Caminho, como Verdade e Vida. Que por nada e ninguém nos afastemos de Ti. Amém! Amém! Amém! (Cf. Sto. Agostinho, Comentário
aos Salmos. Sl.66,5.6).
» 3º DIA - CRISTO VIDEIRA
› Comentarista: Santo Agostinho nos oferece hoje a sua reflexão sobre a nossa vinculação com Cristo, a verdadeira videira. Nesta passagem evangélica,
Jesus se apresenta como a videira, os discípulos como os ramos e o Pai como o agricultor. De tal modo os ramos estão ligados à videira que, sem dar nada
a ela, recebem dela a seiva que lhes dá a vida. Por outro lado, podemos acrescentar que, os ramos unidos à videira são os que lhe possibilitam o desabrochar dos frutos.
› Leitor: Assim como o ramo não pode produzir fruto por si mesmo, vocês também não produzirão frutos se não ficarem unidos a mim’.
Irmãos, irmãs, essa é uma imagem viva da graça que instrui os humildes e tampa a boca dos soberbos. Que repliquem, se são tão ousados, os que, ignorando a
justiça de Deus, tentam impor a sua como norma. Que respondam os que, em tudo, buscam o seu prazer, parecendo-lhes que Deus não é necessário para realizar uma boa ação.
Aquele que crê poder dar fruto por si mesmo, não está unido à videira; quem não está unido à videira não está unido a Cristo, e o que não
está unido a Cristo não é cristão.
› Prestem atenção uma e mil vezes nestas palavras de Jesus: ‘Eu sou a videira e vocês são os ramos. Quem fica unido a mim,
e eu a ele, dará muito fruto, porque sem mim vocês não podem fazer nada’. Os ramos devem estar em um destes dois lugares: ou na videira ou no fogo.
Se não está unido à videira, estará no fogo. Permaneçam, pois, unidos à videira para livrar-se do fogo. ‘Pai nosso, que estais no
céu’. Em nossas orações permaneçamos nestas palavras e no seu sentido e obteremos o que pedimos. Porque as suas palavras permanecem em nós
quando cumprimos os seus preceitos e acreditamos nas suas promessas. Porém quando as suas Palavras permanecem somente na nossa memória e não se refletem no
nosso modo de viver, somos como um ramo fora da videira, que não recebe a seiva da raiz. (cf.Sto Agostinho, comentário do Evangelho de São João, 81, 1-4).
› Comentarista:
v - Que recado esta passagem do Evangelho, unida à reflexão de Agostinho, me traz hoje?
v - Posso comprovar, na minha vida de seguidora de Cristo, a verdade destas palavras: sem mim vocês não podem fazer nada?
Todos juntos, oremos: Permaneçam em mim e eu permanecerei em vocês. Tu és a videira e nós somos os ramos. Como os ramos
estão unidos à videira e dela recebem a seiva que lhes dá a vida, assim estamos nós, Senhor, unidos a Ti e de ti recebemos a
vida. Tu nos mantém unidos a Ti, sem receber de nós coisa alguma. Unidos a Ti, teremos vida, separados de Ti, secaremos como o ramo separado
da videira. Ajuda-nos, Senhor, a permanecer unidos a Ti. Amém! (cf. Sto. Agostinho – Comentário de Ev. de São João 81,1).
» 4º DIA - CRISTO VIDEIRA
› Comentarista: “Eu sou o pão da vida” Como o Senhor te dará o pão da vida, se não ofereces pão
ao necessitado? Ainda que Ele, o verdadeiro Senhor não necessita dos nossos bens, para que pudéssemos fazer alguma coisa a seu favor, se dignou sofrer
fome na pessoa do pobre: Tive fome – disse Ele – e não me deste de comer. Quando, Senhor, te vimos faminto? Quando deste de comer a um destes pequenos,
deste a mim. A outros dirá: quando não deste de comer a estes meus pequenos, a mim não deste. (Cf. Sermão 389, 5-6).
› Leitor: Os pobres e a pobreza ocupam na pregação de Agostinho o mesmo espaço que eles ocupavam nas ruas, onde ricos e mendigos
praticamente se misturavam. “Faço-me mendigo por causa dos mendigos”(Sermão 66,5), proclama o Bispo. Eles eram a maioria, a grande massa em Hipona.
Agostinho não podia ir à basílica sem cruzar com eles. E ficava triste por não poder ajudar a todos.
› “A cada dia, ah, são tantos os indigentes que pedem, gemem, nos suplicam, que nós deixamos muitos deles com sua tristeza, porque não
temos o que dar para todos”(Cf. Sermão 355,5).
Agostinho exorta seus fiéis a testemunharem acolhida e benevolência aos refugiados de Roma, na África: Estamos no inverno. Pensem nos pobres.
Vistam o Cristo que está nu. Cada um de vocês se prepara para recebê-lo na glória. Atenção! Aqui Ele está deitado no
pórtico, morrendo de fome, tremendo de frio, na indigência. É um emigrado. Coloquem em prática todo o conhecimento que vocês
têm da religião.
Peço-lhes, suplico, exorto: dêem provas de doçura, compartilhem os sofrimentos alheios, cuidem dos doentes. Nesta situação atual,
quando tantos emigrados necessitam de tudo e estão doentes, pratiquem a hospitalidade com toda a generosidade, de forma inesgotável e façam
boas obras. Isso é o que Cristo espera de vocês (Cf. Cidade de Deus, II, 29).
› Comentarista: Silenciemos por alguns minutos para que estas palavras de Agostinho toquem o nosso coração.
v - Em que a nossa situação atual se assemelha à situação concreta do Norte da África, no tempo de Agostinho?
v - Faça um paralelo entre a atuação do Bispo Agostinho com a decisão tomada pelos Bispos do Brasil na sua 40º
Assembléia Geral, realizada em Itaici, do 10 ao 19 de Abril, deste ano.
› Todos juntos, oremos: Oh! Deus, ouve a minha prece! Tu és fiel, atende as minhas súplicas! Tu és justo, responde-me!
Faze-me ouvir o teu amor pela manhã, pois é em Ti que eu confio. Indica-me o caminho a seguir, pois a Ti elevo a minha súplica. Ensina-me a
cumprir a tua vontade, pois Tu és o meu Deus. Que o teu bom espírito me conduza por teus caminhos e eu possa entender qual é a parte que me toca,
junto a Ti, na salvação do nosso povo. Tu que és o Deus que faz justiça aos oprimidos, que abre os olhos aos cegos, que endireita os
encurvados, que ama os justos, que protege os estrangeiros, que sustenta o órfão e a viúva e que transtorna o caminho dos injustos, dá-me
a coragem necessária para entrar em parceria contigo, nesta maravilhosa obra de resgate dos teus filhos das mãos dos mais variados tipos de inimigos.
Amém! (Cf. Salmo 143 –142, 146-145).
» 5º DIA - A FORÇA DO ESPIRITO SANTO
› Comentarista: Hoje Santo Agostinho nos convida a contemplar a força da ação do Espírito Santo na vida dos seus
discípulos. Na sua reflexão sobre as palavras de Jesus, anunciadas no Evangelho de São João, Agostinho nos mostra que o nosso amor a
Cristo deve ser fortalecido pela presença do Espírito Santo em nós. É o Espírito que nos enche de coragem e nos torna capazes de
anunciar a Jesus ressuscitado.
› Leitor: O Espírito Santo dará testemunho de mim e vocês também o darão, porque a caridade de Deus, derramada
nos corações de vocês pelo Espírito Santo, lhes dará fortaleza para dar esse testemunho. Essa caridade é a que faltou a Pedro
quando, atemorizado pelas perguntas que aquela mulher lhe fez, na noite da condenação de Jesus, não foi capaz de dar verdadeiro testemunho.
Foi arrastado pelo grande temor que sentia, e em contra daquilo que havia prometido a Jesus, ele o negou três vezes. O amor de Pedro ainda era fraco, faltava ser
fortalecido e dilatado pelo Espírito Santo.
No dia de Pentecostes, Pedro deixou-se invadir pela força do Espírito e de tal maneira abriu a boca, que antes se havia fechado pelo temor de dizer a verdade,
que se destacou no meio daquela multidão, dando testemunho de Cristo e de sua ressurreição. Cheio do Espírito Santo, Pedro passou do temor
à intrepidez, da escravidão à liberdade, provocando com as suas palavras a conversão de tantas línguas inimigas à confissão
de Cristo. Tão grande era o fulgor da graça, tão expressiva era a plenitude do Espírito Santo sobre Pedro, tão grande era o peso das
verdades que saiam de sua boca que encorajaram a morrer por Cristo, os seus próprios inimigos e verdugos, dos quais Pedro teve medo, naquela noite da
condenação de Jesus.
O Espírito Santo, dando testemunho de Cristo e dando uma extraordinária fortaleza aos seus testemunhos, tirou todo o medo dos amigos de Cristo e converteu
em amor o ódio de seus inimigos. (Cf. Santo Agostinho, comentário sobre o Evangelho de São João: 92,1-2).
› Comentarista: Em silêncio cada um, cada uma volte a sua atenção àquela parte da reflexão de Santo Agostinho que encontra eco em sua vida.
v - Comente a sua reflexão com a pessoa que está ao seu lado.
› Comentarista: Este é o momento para que cada um, cada uma, expresse espontaneamente o seu agradecimento a Deus, através de uma oração
de louvor, ou faça o seu pedido.
› Todos juntos, oremos: Divino Espírito Santo, dom do Pai, enviado por Jesus para dar-nos vida, trazer-nos a paz, a verdade, a comunhão; para
ajudar-nos a compreender a verdade trazida por teu Filho, ajuda-nos, como ajudaste aos discípulos, a vencer o medo e a insegurança de ser testemunhas de Jesus e de
sua ressurreição, hoje e sempre, aqui e em todos os lugares e circunstâncias de nossa vida. Ajuda também a todos os missionários e missionárias
que partem para todos os lugares da terra para anunciar o Evangelho de Jesus aos povos, para continuar a sua obra salvadora e edificar a Igreja como comunidade de salvação.
Ajuda-nos a ser, como Jesus, anunciadores do Reino aos pobres, a valorizar as pessoas, a perdoar os pecadores, a curar os doentes, a trazer alegria e sentido de vida aos marginalizados,
a mostrar a face humana da verdadeira religião, a sentir e expressar ternura e compaixão, a aproximar Deus ao povo e o povo a Deus. Amém
» 6º DIA - A IGREJA
› Comentarista: Muita gente hoje tropeça com a Igreja como se ela fosse uma objeção para a sua fé e chega a afirmar: Deus sim, Igreja não. Agostinho,
apesar das limitações da Igreja do seu tempo, soube aceitá-la, amá-la e trabalhar ardentemente nela e por ela. Ele dizia: “amemos ao Senhor Deus e
amemos a Igreja. A Ele como Pai e a ela como mãe” (Comentário do salmo 88,2.14). “Ama a Igreja pois ela te gerou para a vida eterna” (Sermão 344,2).
“Se amamos a Igreja, temos o Espírito Santo” (Tratado sobre o Evangelho de João 32,8).
› Leitor: A prolongação histórica de Jesus Cristo é a Igreja. Não se pode compreender a Cristo sem a Igreja e não se compreende
a Igreja sem Jesus Cristo. A Igreja espelha a realidade do Cristo total formado pela Cabeça que é o mesmo Cristo e pelos membros que é o povo de Deus. O passar dos
séculos e as marcas de tantas mãos humanas tem obscurecido a imagem límpida e verdadeira da Igreja.
Todo aquele que vai se aperfeiçoando na Igreja há de suportar os maus. Mas, os maus não querem saber coisa alguma dos iguais a eles, pois embora muitos maus murmurem contra os
outros maus, é mais fácil um homem sadio suportar dois doentes, do que dois doentes se suportarem mutuamente. A Igreja atual é uma eira onde se juntam o trigo e a palha.
Quem olha a eira de longe só vê palha. Se não olhar mais atentamente, se não estender a mão, não soprar, isto é, se não limpar e separar soprando,
dificilmente chegará a distinguir os grãos.
Também acontece que, muitas vezes, os grãos estão colocados de tal modo que, separados entre si, não se tocam. Como resultado cada um que caminha para a
perfeição pensa que está sozinho. Este pensamento, meus irmãos, minhas irmãs, tentou a Elias. Ele disse a Deus: “mataram teus profetas,
arrasaram teus altares, só fiquei eu e querem tirar-me a vida”. Mas Deus disse a Elias... não penses que estás sozinho. Há outros, são sete mil
e te julgas sozinho! ... quem ainda for mau, não pense que ninguém mais é bom. Quem é bom, não julgue ser o único bom e não receie ficar
no meio dos maus... (Comentários dos Salmos 25,2.5).
› Leitor: Santo Agostinho não só se torna um membro vivo, dinâmico, entregado à Igreja de Jesus como também exorta a outros a
colaborar com ela: “Não antenponhas o teu ócio às necessidades da Igreja, pois se não houvesse bons ministros que se determinassem assisti-la , quando
ela dá a luz, não houvéssemos encontrado meio para nascer” (Carta 48.2 a Eudósio-abade).
› Comentarista:
v - Você se sente membro vivo da Igreja? Em que se nota?
v - A sua comunidade pode se chamar “célula viva de serviço, fermento renovador, presença eclesial, ou uma atividade paralela à Igreja Local?
› Todos juntos, oremos: Maria, Mãe de Jesus, Mãe da Igreja e nossa Mãe, permanece no meio de nós, como permaneceste unida aos discípulos na oração
e na expectativa da vinda em plenitude do Espírito Santo sobre a Igreja nascente. Ajuda-nos a assumir a nossa vocação como Igreja povo de Deus, Igreja comunhão, que
caminha na história e na história se torna sinal visível da sabedoria, bondade e misericórdia da Trindade Santa. Amém! Amém! Amém!
» 7º DIA - PALAVRA DE DEUS EM NOSSA VIDA
› Comentarista: Santo Agostinho nos conta, em suas confissões, que o seu primeiro contato com a Bíblia não foi nada agradável.
Simplesmente não gostou. Mas à medida que o seu coração, a sua mente foram se abrindo à graça de Deus, se dirige a Ele, pedindo: “Que tuas
Escrituras, meu Deus, sejam para mim um encanto cheio de pureza; que eu não me engane sobre elas, nem a outros engane com elas. Que as tuas palavras, Senhor, não fiquem
ocultas sem resultado em meu coração sem as conseqüentes obras de justiça” . E promete a Deus que não gastará as suas horas livres a não
ser na leitura e meditação da sua Palavra. (Cf. Conf. 11, 2.3).
› Leitor: Vocês agora são ouvintes da Palavra e nós somos os pregadores. Porém, no íntimo da cada um, no coração,
na mente, todos nós somos ouvintes: os que pregam a Palavra e os que a ouvem. Uns e outros somos ouvintes da Palavra no nosso interior e todos devemos ser cumpridores da Palavra
interna e externamente, na presença de Deus. Devemos deixá-la cair como a boa semente dentro de nós e transformá-la em uma boa ação: “divide
o teu pão com o faminto” (Is.68,7). Portanto, “sejam cumpridores e não só ouvintes da palavra, enganando-se a vocês mesmos” (Sant. 1,22).
Deus a quem não pode ocultar-se o coração humano, vê a intenção com que você a ouve, o que você pensa, com que você fica, que
proveito tira da sua ajuda, com que insistência ora, como pede a Deus o que necessita, como agradece a Ele os bens recebidos. Gostaria que vocês pensassem nisto: se é
belo ouvir a Palavra, mais belo ainda é pô-la em prática. “Quem ouve as minhas palavras e as põe em prática se assemelha ao homem prudente que
constrói a sua casa sobre a rocha...Quem ouve as minhas palavras e não as põe em prática se assemelha ao homem imprudente que constrói a sua casa sobre
a areia... quem ouve e não leva à prática constrói sobre areia, quem ouve e leva à prática, constrói sobre pedra e quem não ouve,
não constrói nem sobre a rocha, nem sobre a areia... (Sto Agostinho, Sermão 179,2.7-9)
› Comentarista: O que é preferível?
1. Ouvir a palavra e pô-la em prática, porque assim se constrói sobre a rocha?
2. Ouvir e não por em prática e estar construindo sobre a areia?
3. Não ouvir?
4. Você já sabe o resultado do ouvir e por em prática e do ouvir e não por em prática. O que acontece com quem se nega a ouvir? Santo Agostinho diz:
“Você não estará seguro por não ouvir porque nu e sem lar, você se sentirá derrubado, arrastado e submergido. Logo, se é mau
edificar sobre areia, pior ainda será não edificar nada...
v - Compartilhe com o grupo uma de suas experiências de ouvir e por em prática a Palavra de Deus.
› Todos juntos, oremos: “Como é admirável, Senhor, a tua Palavra! (Conf. 12,14.17). Na riqueza do teu amor, falas aos homens como a amigos, conversas com eles,
para convidá-los a participar da tua própria vida, a entrar na história de maneira ativa, comprometida, para ajudar-te na tua grande obra da salvação.
Tu ages mediante a Palavra, falas e crias, falas e salvas. A tua palavra nos alimenta e ilumina o nosso caminho. Falas com Abraão, Moisés, Gedeão...
falas com os profetas, com Maria e a Tua PALAVRA se faz carne e habita entre nós. Esta PALAVRA que é AMOR, é JUSTIÇA, é SOLIDARIEDADE.
» 8º DIA - A MISERICORDIA E A TERNURA DE DEUS
› Comentarista: Hoje Santo Agostinho nos convida a nos reconhecer como uma pequena criatura, conhecedora da própria limitação, diante da infinita onipotência do Criador.
Agostinho depois da sua conversão experimenta a profunda necessidade de ser curado e sustentado pela misericórdia e ternura de um Deus que é, antes de tudo, PAI. Vamos ouvir
uma parte da reflexão que ele faz sobre a parábola do Filho pródigo.
› Leitor: “O filho pródigo depois de esbanjar tudo, percebeu que havia perdido àquele a quem havia ofendido: seu pai. Percebe também nas
mãos de quem havia caído. E “voltou a si mesmo” ... primeiro retornou a si mesmo e depois ao pai. Havendo retornado a si mesmo, sentiu-se miserável:
“encontrei a tribulação e a dor e invoquei o nome do Senhor”...levantou-se e retornou. Seu pai o vê de longe e sai ao seu encontro. O pai lê o
pensamento do filho. O filho tinha pensado o que ia dizer ao pai, porém ainda não lhe tinha dito, mas o Pai já havia captado o desejo do seu coração.
Às vezes quando nos sentimos atribulados ou assaltados por alguma tentação, pensamos rezar. O nosso pensamento começa a trabalhar sobre o que, como filhos,
vamos dizer a Deus, nosso Pai, na oração, como vamos pedir-lhe que tenha misericórdia de nós. A maior parte das vezes o Pai já nos está ouvindo
porque o nosso pensamento não se oculta aos seus olhos. “Muito perto está a misericórdia de Deus daqueles que se confessam. Deus não está longe
dos contritos de coração”. (Cf. Sermão 112 A, 1-5).
› Comentarista: Um momento de silêncio procurando sentir no mais profundo do seu coração:
v - Como a misericórdia de Deus tem se manifestado na minha vida?
v - Depois de afastar-me de Deus por curto ou longo tempo, tenho a confiança de confiar na misericórdia do Pai, voltar a Ele, com humildade e confiança?
› Comentarista: Este é o momento para que cada um, cada uma, expresse espontaneamente o seu agradecimento a Deus, através de uma oração de
louvor, ou faça o seu pedido.
› Todos juntos, oremos:s Louvor e glória a Ti, Senhor, que és a fonte de todas as misericórdias! (Conf. VI, 16.26).
Agora compreendo a necessidade de voltar a Ti, Senhor! Abre-me a porta, porque eu estou batendo; ensina-me o caminho para chegar a Ti. Sei que devo desprezar as coisas passageiras e
transitórias e procurar o que é certo e eterno. Eu sei todas estas coisas, Pai, e tenho vontade de chegar a Ti, mas ainda eu não conheço o caminho.
Ensina-me os teus caminhos, mostra-me como andar por eles e dá-me a força para a viagem.
Se com a fé chegam a Ti os que te buscam, dá-me a fé; se com a virtude, dá-me a virtude; se com a ciência, dá-me a ciência.
Aumenta em mim a fé, aumenta a esperança, aumenta a caridade. Que admirável e singular é a tua bondade, Senhor! (Solilóquios I, 5-6)
› Cantemos: Tarde te amei, beleza infinita!
» 9º DIA - LANÇAR-SE EM DIREÇÃO À META
› Cantemos: Em nome do Pai, em nome do Filho, em nome do Espírito Santo, estamos aqui. Para louvar e agradecer, bendizer, adorar, estamos aqui, Senhor ao teu dispor.
Para louvar e agradecer, bendizer e adorar! te aclamar, Senhor, Deus Trino de Amor.
› Comentarista: Hoje Santo Agostinho nos convida a não parar de caminhar. Quem se prende ao passado não caminha, quem pensa que já alcançou a meta, para.
“Qualquer que seja o ponto a que chegamos, caminhemos em direção à meta.” (Fil.3,16). Não fiquemos no lugar da chegada, caminhemos a partir dele.
› Leitor: “Esquecendo-me do que fica para trás avanço para o que está na frente. Lanço-me em direção à meta, em vista do prêmio do alto,
que Deus nos chama a receber em Jesus Cristo”.(Fl, 3.13-14)
Ainda corro, ainda avanço, ainda ando, ainda estou a caminho, ainda me esforço, ainda não cheguei. Deste modo, se você anda, se você se esforça,
se você tem no pensamento o que deverá vir, joga o passado para o esquecimento, não volte o seu olhar para ele, para não empacar no lugar onde você
pôs o seu olhar. Não paremos aonde chegamos. Caminhemos!
O que significa caminhar? Significa avançar, avançar no bem. Segundo o Apóstolo, alguns avançam para o pior. Você, se avança, por favor,
avance para o bem, na fé, nas boas obras: cante e caminhe! Faça como os viandantes que costumam cantar quando caminham. Console com o canto o seu trabalho, não
ame a preguiça; cante e caminhe! Avance no caminho, meu irmão, minha irmã; examine-se continuamente sem se enganar. Se você diz: “Chega!”
você está perdido. retrocede, deserta, se desvia. Não saia do caminho, não volte para trás, não fique parado. (Cf. Sermão 169,18 e 256, 1.3).
› Leitor: Quando Agostinho sente na sua própria fraqueza a força da misericórdia de Deus, empreende o caminho rumo à meta com mais decisão, coragem e alegria.
Ele sabe que o caminho é longo e que é preciso andar, correr. Do seu passado, guarda a lembrança da presença de um Deus que é Pai e que o arrancou do
caminho errado. Olha para a frente, na direção que Deus lhe vai indicando e caminha.
E você?
› Comentarista: Este é o momento para que cada um, cada uma, expresse espontaneamente o seu agradecimento a Deus, através de uma oração
de louvor, ou faça o seu pedido.
› Todos juntos, oremos: “Ó Senhor meu Deus, única esperança minha, ouve-me, a fim de que jamais me entregue ao cansaço e não
mais queira te buscar, mas ao contrário que sempre procure tua face com todo o ardor. Fortalece aquele que te busca, tu que permitiste seres encontrado, e me cumulaste de esperança
de sempre mais te encontrar.
Eis em tua presença a minha força e a minha fraqueza: conserva a força e cura a fraqueza. Na tua presença, minha ciência e minha ignorância: lá
onde me fechaste, abre-me ao bater. Que de ti me lembre, que te compreenda e te ame! Faze-me crescer nesses dons, até que me restaures totalmente”.
(A Trindade, 15 Oração à Trindade).